Essa preocupação também se estende ao hábito comum de compartilhar fotos e momentos da vida dos filhos nas redes sociais
Porto Velho, RO - A denúncia recente do youtuber Felipe Bressanim, o Felca, reacendeu um alerta no Brasil: a exposição e a adultização precoce de crianças e adolescentes no ambiente digital. O vídeo de 50 minutos, que viralizou nas redes, gerou um aumento de mais de 100% nas denúncias de crimes sexuais em poucos dias, segundo a Safernet. Diante desse cenário, surge a pergunta: como a Justiça atua, na prática, para proteger as vítimas?
Em Rondônia, o Tribunal de Justiça (TJRO) tem desenvolvido uma série de iniciativas que unem inovação, acolhimento e prevenção.
Vítima ouvida e validada
O depoimento de uma criança pode ser decisivo para romper ciclos de violência. Por isso, para garantir que crianças e adolescentes vítimas de violência sejam ouvidas com segurança, o Tribunal de Justiça de Rondônia investe no acolhimento especializado, segundo o juiz Dr. Flávio Henrique de Melo, titular da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes.
O TJRO garante que o depoimento das vítimas seja feito de forma humanizada, com acompanhamento de psicólogo, evitando que elas precisem reviver o momento traumático diversas vezes durante o processo judicial.
Ação conjunta com outros órgãos
O combate aos crimes digitais não é uma tarefa de único setor. O juiz explica que o trabalho envolve Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Conselho do Tutelar e escolas em uma atuação conjunta para investigar os autores e proteger as vítimas.
Essas articulações garantem que denúncias sejam rapidamente transformadas em ações preventivas e repressivas, interrompendo ciclos de violência e exploração sexual infantil. Entretanto, o maior desafio é que a vítima tenha coragem de denunciar, muitas vezes ela é coagida ou reviver o ocorrido é traumatizante. É justamente para enfrentar esse desafio que o TJRO desenvolveu iniciativas que unem acolhimento e humanização, como Núcleo Institucional Humanizado de Oitivas.
Ninho, Fifi e Pipo: acolhimento na prática

Pipo e Fifi – Foto: Miguel Pacheco
Um dos principais exemplos de inovação é o Ninho (Núcleo Institucional Humanizado de Oitivas), um espaço criado para que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência prestem depoimento especial em um ambiente seguro e acolhedor. O nome, além de ser a sigla, foi pensado para transmitir exatamente essa ideia de proteção, como em um ninho de pássaros, onde se busca segurança e cuidado.
As vítimas ou testemunhas são acompanhadas por profissionais psicossociais e só precisam falar à justiça uma vez, sem a necessidade de participar de uma audiência judicial convencional.
O Ninho também utiliza os personagens Fifi e Pipo, criados para educar sobre violência sexual contra crianças e adolescente por meio de linguagem adequada e acessível à idade. A ideia é levada a diversas cidades do estado, garantindo atendimento e proteção mesmo fora da capital.
Campanhas em escolas e distritos
Prevenir também é proteger, por isso o TJRO realiza campanhas educativas voltadas para crianças, adolescentes e comunidade escolar. A ação busca conscientizar sobre os riscos da exposição digital e da sexualização precoce, promovendo debates e orientações sobre direitos de infância e juventude.
O objetivo é criar uma cultura preventiva, em que crianças, adolescentes e adultos saibam identificar situações de risco e buscar ajuda imediatamente.
Orientações aos pais

Psicóloga Elizete Gonçalves – Foto: Izaias Silva
Nenhuma criança é responsável pela violência que sofre, mas a prevenção pode começar dentro de casa. Os pais precisam estar atentos, tanto para identificar sinais de alerta quanto para monitorar o uso de telas. Pensando nesse aspecto, a psicóloga e neuropsicóloga Elizete Gonçalves Silva ressalta que a proteção no ambiente digital depende, sobretudo, da atuação consciente dos adultos responsáveis.
Ela alerta ainda para os impactos da sexualização precoce, que muitas vezes está ligada justamente ao excesso de exposição digital.
Essa preocupação também se estende ao hábito comum de compartilhar fotos e momentos da vida dos filhos nas redes sociais. Para Elizete, esse compartilhamento pode acontecer, mas precisa ser feito de forma monitorada e consciente, respeitando o direito à privacidade da criança.
No fim, o que está em jogo não são números nem relatórios. É a infância que se perde em cada clique forçado, em cada silêncio imposto. É o olhar de uma criança que deveria estar descobrindo o mundo com curiosidade, e não com medo.
Em Rondônia, o Tribunal de Justiça (TJRO) tem desenvolvido uma série de iniciativas que unem inovação, acolhimento e prevenção.
Vítima ouvida e validada
O depoimento de uma criança pode ser decisivo para romper ciclos de violência. Por isso, para garantir que crianças e adolescentes vítimas de violência sejam ouvidas com segurança, o Tribunal de Justiça de Rondônia investe no acolhimento especializado, segundo o juiz Dr. Flávio Henrique de Melo, titular da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes.
“A comunicação do fato é altamente importante, porque permite romper a cadeia da violência. O sistema precisa acolher a vítima de forma isenta, sem julgamentos, para que ela se sinta segura em denunciar. Quanto mais rápido acontecer, menor é o risco de reiteração do crime”, explica.
O TJRO garante que o depoimento das vítimas seja feito de forma humanizada, com acompanhamento de psicólogo, evitando que elas precisem reviver o momento traumático diversas vezes durante o processo judicial.
Ação conjunta com outros órgãos
O combate aos crimes digitais não é uma tarefa de único setor. O juiz explica que o trabalho envolve Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Conselho do Tutelar e escolas em uma atuação conjunta para investigar os autores e proteger as vítimas.
“O trabalho de investigação é complexo, porque muitos criminosos usam perfis falsos. Mas, com a atuação conjunta é possível cruzar informações e identificar os autores, garantindo que a Justiça atue com segurança”, destacou o juiz.
Essas articulações garantem que denúncias sejam rapidamente transformadas em ações preventivas e repressivas, interrompendo ciclos de violência e exploração sexual infantil. Entretanto, o maior desafio é que a vítima tenha coragem de denunciar, muitas vezes ela é coagida ou reviver o ocorrido é traumatizante. É justamente para enfrentar esse desafio que o TJRO desenvolveu iniciativas que unem acolhimento e humanização, como Núcleo Institucional Humanizado de Oitivas.
Ninho, Fifi e Pipo: acolhimento na prática

Pipo e Fifi – Foto: Miguel Pacheco
Um dos principais exemplos de inovação é o Ninho (Núcleo Institucional Humanizado de Oitivas), um espaço criado para que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência prestem depoimento especial em um ambiente seguro e acolhedor. O nome, além de ser a sigla, foi pensado para transmitir exatamente essa ideia de proteção, como em um ninho de pássaros, onde se busca segurança e cuidado.
As vítimas ou testemunhas são acompanhadas por profissionais psicossociais e só precisam falar à justiça uma vez, sem a necessidade de participar de uma audiência judicial convencional.
O Ninho também utiliza os personagens Fifi e Pipo, criados para educar sobre violência sexual contra crianças e adolescente por meio de linguagem adequada e acessível à idade. A ideia é levada a diversas cidades do estado, garantindo atendimento e proteção mesmo fora da capital.
Campanhas em escolas e distritos
Prevenir também é proteger, por isso o TJRO realiza campanhas educativas voltadas para crianças, adolescentes e comunidade escolar. A ação busca conscientizar sobre os riscos da exposição digital e da sexualização precoce, promovendo debates e orientações sobre direitos de infância e juventude.
O objetivo é criar uma cultura preventiva, em que crianças, adolescentes e adultos saibam identificar situações de risco e buscar ajuda imediatamente.
Orientações aos pais

Psicóloga Elizete Gonçalves – Foto: Izaias Silva
Nenhuma criança é responsável pela violência que sofre, mas a prevenção pode começar dentro de casa. Os pais precisam estar atentos, tanto para identificar sinais de alerta quanto para monitorar o uso de telas. Pensando nesse aspecto, a psicóloga e neuropsicóloga Elizete Gonçalves Silva ressalta que a proteção no ambiente digital depende, sobretudo, da atuação consciente dos adultos responsáveis.
“Os pais precisam monitorar o uso de telas, controlar o tempo que os filhos ficam no celular, o tipo de conteúdo que consomem e aplicar o controle parental, que são os aplicativos que controlam o que os filhos podem ou não mexer. Crianças devem brincar, se desenvolver e conhecer o mundo real antes de se expor a ambientes virtuais”, destacou Elizete.
Ela alerta ainda para os impactos da sexualização precoce, que muitas vezes está ligada justamente ao excesso de exposição digital.
“A exposição excessiva afeta a autoestima e distorce a percepção que a criança tem do próprio corpo. Crianças sexualizadas cedo podem enfrentar relacionamentos abusivos e desenvolver ansiedade ou outros transtornos emocionais. E passa também a trazer prejuízos, principalmente, para a identidade da criança, que fica distorcida entre aquilo que ela vive e é, e entre o que idealmente está sendo levada a querer ser em ambiente virtual ”, explica.
Essa preocupação também se estende ao hábito comum de compartilhar fotos e momentos da vida dos filhos nas redes sociais. Para Elizete, esse compartilhamento pode acontecer, mas precisa ser feito de forma monitorada e consciente, respeitando o direito à privacidade da criança.
“Os pais podem registrar e compartilhar momentos de rotina, mas sem expor a intimidade. Fotos no banho, na piscina ou em situações de vulnerabilidade não devem ser publicadas. O ideal é que o compartilhamento envolva a família de maneira geral, sem colocar a criança no centro da exposição”, orienta.
No fim, o que está em jogo não são números nem relatórios. É a infância que se perde em cada clique forçado, em cada silêncio imposto. É o olhar de uma criança que deveria estar descobrindo o mundo com curiosidade, e não com medo.
Fonte: Rondôniagora



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