Manifestantes fazem ceia de natal no acampamento em que estão há quase dois meses, em Porto Velho

 


Vilhena, RO - Enquanto pais e avós discutem a situação política do país e a realização da manifestação e sua continuidade, a criançada aproveita para brincar

Apesar do piso do campo da Brigada estar encharcado após quase 12 horas de aguaceiro sobre a cidade de Porto Velho, isso não impediu os manifestantes, há quase dois meses reunidos naquele lugar, de realizarem a tradicional “ceia natalina”, como foi proposto, lá mesmo.

Uma exigência: as “pencas” de balões, todos doados, teriam só as cores “da nossa Bandeira”, explicava um rapazola ajudando a arrumar os feixes que foram sendo colocados, enquanto outro grupo armou uma árvore de natal com centenas de pequenas lâmpadas, tendo ao centro duas bandeiras brasileiras.

Logo a “árvore de natal” luminosa serviu para que muitos pais, avós e namorados, ou até quem se conheceu ali, tirar fotografias para os álbuns de família, formando uma fila à espera da vez de ser fotografado.

“Essa é uma noite para não esquecer”, disse uma universitária, lamentando que alguns amigos não estejam participando. “Tem gente que disse ter votado no presidente, mas parece não ter dado ainda atenção ao que está acontecendo”.

Frases como “com a família é bom, mas aqui constituímos uma família muito maior” ou “aqui temos um espírito natalino mais forte”, foram ouvidas, e houve até quem antecipasse ou adiasse a ceia natalina para estar presente ao evento para participar do momento, com mais de 500 pessoas.

“Lá em casa sempre a ceia natalina é feita, mas quando dá 23 horas muitos já foram para outros compromissos. Lá em casa a ceia foi almoço de hoje (ontem), uma experiência boa”, disse uma aposentada que desde início de novembro sempre está presente.

Em muitas famílias a “ceia natalina” foi adiada para ser o “almoço do natal”, neste domingo. “Nos outros anos no dia 25 íamos de “RO” resto de ontem ou “enterro dos ossos”, mas amanhã (hoje) teremos um bom almoço”, dizia uma advogada enquanto pegava a oferta de uma família para provar um creme.

Ela, que participa com o marido, uma filha e um neto desde quando a mobilização começou, elogiou a ideia da ceia coparticipativa, e até a garotada também gostou. Vários deles disseram morar em apartamentos, sem espaço e amigos para brincar.

Enquanto pais e avós discutem a situação política do país e a realização da manifestação e sua continuidade, a criançada aproveita para brincar, correndo sem interrupção de qualquer adulto com relação a sujar roupa ou qualquer outro motivo.






Fonte: Folha do Sul
Autor: Lúcio Albuquerque

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